Família Ronchi

Significado do Nome Ronchi

Nome de família bastante difundido em todo o norte da Itália, na Região do Vêneto: Verona, Vicenza, Treviso, Belluno, e Trentino: Província de Trento.

No século XIX, início de 1800, o sobrenome RONCH foi Latinizado: RONCHI .

- Indica locais desmatados, bem como terrenos limpos destinados ao cultivo; 

- O vocábulo latino “runco”: foice, instrumento agrícola próprio para o corte de vegetação e também arma de guerra na Antiguidade e Idade Média;
- Como sobrenome, se reporta a fabricante e comerciante de foices, indicando a profissão do antepassado fundador deste tronco familiar;
- Terrenos íngremes ou encostas;
-  Qualifica o habitante oriundo de áreas desmatadas.
Ronch - Ronchi - Ronco - Runco - Roncalli - Rónca - Roncatto - Ronchetti - Roncelli -  Ronconi - Roncá - Roncada - Roncaglio - Roncán - Roncani


Como na Itália existem dezenas de dialetos, RONCHI tem diversos significados:
- O topônimo “ronco” do latim “runcare”: cortar (lenha), erradicar, arrancar pela raiz, destruir;
Um patriarca dos Séc XIII-XIV(1200-1300) ao transmitir seu cognome, deu origem à “CASATA DEL RONCO”, (família, clã), Del Ronco, dita depois “DEI RONCHI”.

Família Ronchi na colônia Luis Alves


ISIDORO RONCHI E TERESA COSTA

Tudo começou com Isidoro Ronchi, nascido a 04 de novembro de 1857 em Vallada – Itália, filho de Giovanni Batista Domenico e Margherita Busin e Teresa Costa, filha de Antonio Costa e Giustina de Val, nascida em 30 de agosto de 1862 em Bonacede di S. Tomaso Agostino – Beluno – Itália, contraindo casamento aos 16 de janeiro de 1882 na Paróquia de S. Tomaso Agostino. Estão sepultados no cemitério do Segundo Braço.

Imigraram para o Brasil no ano de......da união nasceram onze filhos:
Carolina, Antônio, Margarida, Paulo, Maria, Batista, Amábile, Silvestre, Verônica, Fortunato e
José

Família Isidoro Ronchi

Isidoro é descrito como homem forte, de espessa barba e belo bigode, um verdadeiro artista para quem o conheceu. Exímio contador de estórias. Enérgico com os filhos, mas para netos e amigos não existia ninguém igual para contar uma boa história.

Após o desembarque em Itajaí, rumou para Luis Alves no barracão construído para receber os imigrantes. Como era costume, as terras já eram escolhidas naquele momento, através de interprete, com o Inspetor de Terras, que eram os representantes da Província.
Rumou para o Segundo Braço*, onde construíram um galpão, para abrigar coletivamente as pessoas que se instalariam nesta localidade, e conforme construíam suas casas iam saindo. Este galpão estava localizado perto da antiga escola, no terreno delle Mussole.  Instalou-se e morou até sua morte no terreno  que hoje pertence ao Claudino Ronchi*. Plantando o necessário para a subsistência, como o milho, feijão, mandioca, cana de açúcar e verduras, continuou sua vida em terra nova.

Abnegado e inovador, logo começou a construir um engenho de cana de açúcar, como chamávamos, na montanha, bem no meio das roças, com certeza para facilitar o beneficiamento da cana. Em seguida instalou um engenho de farinha de mandioca, próximo a sua casa,  em função da água existente naquele local. As coisas estavam indo de vento em popa.
                        
Com as idéias trazidas da Itália, logo começou a construir um caselo*,  junto com os vizinhos, onde todos levavam o leite para produção de queijos, manteiga e a puina*. A associação funcionava de forma muito simples. Cada associado trabalhava um dia em forma de revezamento e após o processamento o resultado era dividido de forma eqüitativa entre todos os associados. Esta associação ficava na casa de pedra, de propriedade de Giuseppe Scuola, onde atualmente mora Arno Ronchi. A quase totalidade do que era produzido servia para o consumo das famílias e as sobras vendidas a comerciantes de Itajaí e posteriormente em Luis Alves para o comercio de Leopoldo Hess.
                        
Para transportar os produtos faziam tipo uma cadeira, com sarrafos bem pequenos que prendiam nas costas e ajeitavam as latas com manteiga e queijo dentro deste tipo de caixa e saiam picada* a fora,  a pé, é claro.


Teresa era uma mulher forte bastante gorda e dizem que quando experimentou o aipim e a farinha de mandioca, teria dito que isto sim que era uma comida boa.


* Caselo: Cooperativa para produção de derivados de Leite produzidos na comunidade.
* Segundo Braço: Localidade hoje pertencente ao município de Massaranduba.
* Puina: Ricota.
* Claudino Ronchi: Filho de Fortunato Ronchi.
* Picada: Caminho aberto na mata (para encurtar distâncias).


PAULO RONCHI

Nasceu na Itália em 29 de outubro de 1887 e faleceu em Massaranduba – Centro aos 29 de outubro de 1978. Casou com Antonia Nart nascida em  11 de outubro de 1890  e faleceu em 15 de outubro de 1964. Estão sepultados no Cemitério do Guarani Mirim em Massaranduba. Tiveram oito filhos:

Solano, Ricardo, Celeste, Cláudia, Ana, Fortunata, Escolástica e Tereza

Após o casamento mudou-se para o Guarani Mirim na estrada para o Segundo Braço onde atualmente moram os descendentes da Escolástica, que casou com o Wilibad Schmidt em uma casa coberta de palha. Posteriormente conseguiu construir uma casa de madeira que se encontra no local ainda hoje. Já viúvo mudou-se para o centro de Massaranduba com seu filho Ricardo.

Seu trabalho predileto era a retirada de taquara nativa, que após  estalada, era vendida para engenhos de farinha de mandioca em S. João do Itaperiu, para confecção de tipiti, uma espécie de balaio usado para prensar a mandioca. Outra atividade era a confecção de balaios e vassouras de cipó. Saía de madrugada carregando molhos nas costas para vender de casa em casa ate Barra Velha. No retorno comprava animais magros e baratos, que após a engorda vendia com bons lucros.
                        
Homem muito paciente, conforme seu filho Ricardo, não se incomodava muito com a lida na roça, que atribuía aos filhos. Fazia coivaras, onde era plantado arroz com chuchu, e a colheita era feita com canivete, quando cortava somente os cachos, que eram levados para casa em balaios e a noite eram debulhados na base do Porrete*. Não tinha grande preocupação com a educação dos filhos. Poucos dias na escola para aprender a escrever o nome. Rezando o terço de noite e tratando os filhos a base de polenta e minestra ficavam felizes ao receber uma roupa, não tendo preocupação com dinheiro.
                       
* Porrete: Pedaço de madeira