Após o desembarque em Itajaí, rumou para Luis Alves no barracão construído para
receber os imigrantes. Como era costume, as terras já eram escolhidas naquele
momento, através de interprete, com o Inspetor de Terras, que eram os representantes
da Província.
Rumou
para o Segundo Braço*, onde
construíram um galpão, para abrigar coletivamente as pessoas que se instalariam
nesta localidade, e conforme construíam suas casas iam saindo. Este galpão
estava localizado perto da antiga escola, no terreno delle Mussole. Instalou-se e
morou até sua morte no terreno que hoje
pertence ao Claudino Ronchi*. Plantando
o necessário para a subsistência, como o milho, feijão, mandioca, cana de
açúcar e verduras, continuou sua vida em terra nova.
Abnegado
e inovador, logo começou a construir um engenho de cana de açúcar, como
chamávamos, na montanha, bem no meio das roças, com certeza para facilitar o
beneficiamento da cana. Em
seguida instalou um engenho de farinha de mandioca, próximo a sua casa, em função da água existente naquele local. As
coisas estavam indo de vento em popa.
Com as idéias trazidas
da Itália, logo começou a construir
um caselo*, junto com os vizinhos, onde todos levavam o
leite para produção de queijos, manteiga e a puina*. A associação funcionava de forma muito simples. Cada
associado trabalhava um dia em forma de revezamento e após o processamento o
resultado era dividido de forma eqüitativa entre todos os associados. Esta
associação ficava na casa de pedra, de propriedade de Giuseppe Scuola, onde atualmente
mora Arno Ronchi. A quase totalidade do que era produzido servia para o consumo
das famílias e as sobras vendidas a comerciantes de Itajaí e posteriormente em Luis Alves
para o comercio de Leopoldo Hess.
Para
transportar os produtos faziam tipo uma cadeira, com sarrafos bem pequenos que
prendiam nas costas e ajeitavam as latas com manteiga e queijo dentro deste
tipo de caixa e saiam picada* a fora, a pé, é claro.
Teresa era uma mulher forte
bastante gorda e dizem que quando experimentou o aipim e a farinha de mandioca,
teria dito que isto sim que era uma comida boa.
* Caselo: Cooperativa para produção de derivados de Leite produzidos na comunidade.
* Segundo
Braço: Localidade hoje pertencente ao município de Massaranduba.
* Puina: Ricota.
* Claudino
Ronchi: Filho de Fortunato Ronchi.
*
Picada: Caminho aberto na mata (para
encurtar distâncias).
PAULO RONCHI
Nasceu na Itália em 29
de outubro de 1887 e faleceu em Massaranduba – Centro aos 29 de outubro de 1978.
Casou com Antonia Nart nascida em 11 de outubro de 1890 e faleceu em 15 de outubro de 1964. Estão
sepultados no Cemitério do Guarani Mirim em Massaranduba. Tiveram
oito filhos:
Solano, Ricardo, Celeste, Cláudia, Ana, Fortunata, Escolástica e Tereza
Após o casamento mudou-se para o Guarani Mirim
na estrada para o Segundo Braço onde atualmente moram os descendentes da
Escolástica, que casou com o Wilibad Schmidt em uma casa coberta de palha.
Posteriormente conseguiu construir uma casa de madeira que se encontra no local
ainda hoje. Já viúvo mudou-se para o
centro de Massaranduba com seu filho Ricardo.
Seu trabalho predileto
era a retirada de taquara nativa, que após
estalada, era vendida para engenhos de farinha de mandioca em S. João do Itaperiu, para
confecção de tipiti, uma espécie de balaio usado para prensar a mandioca. Outra atividade era a
confecção de balaios e vassouras de cipó. Saía de madrugada carregando molhos
nas costas para vender de casa em casa ate Barra Velha. No
retorno comprava animais magros e baratos, que após a engorda vendia com bons
lucros.
Homem muito paciente,
conforme seu filho Ricardo, não se incomodava muito com a lida na roça, que
atribuía aos filhos. Fazia coivaras, onde era plantado arroz com chuchu, e a
colheita era feita com canivete, quando cortava somente os cachos, que eram
levados para casa em balaios e a noite eram debulhados na base do Porrete*. Não tinha grande
preocupação com a educação dos filhos. Poucos dias na escola para aprender a
escrever o nome. Rezando o terço de noite e tratando os filhos a base de polenta
e minestra ficavam felizes ao receber uma roupa, não tendo preocupação com
dinheiro.
* Porrete: Pedaço de
madeira